Três erros comuns na análise de mapas astrais

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Três erros comuns na análise de mapas astrais

Estudar Astrologia, nos tempos atuais, é muito mais fácil do que já foi um dia, mas também muito mais perigoso. Da mesma forma que encontramos uma gama de informações disponíveis em livrarias, vídeos e websites, a falta de um mentor que nos oriente faz com que entremos em contato com muitos conteúdos distorcidos sem que saibamos filtrá-los. Dito isso, apresentarei três erros comuns que os estudantes costumam cometer no início de seus estudos.

 


1- ANALISAR UMA CASA COM BASE APENAS NO SIGNO QUE ESTÁ NA CÚSPIDE

A cúspide de uma casa nada mais é do que seu início em determinado grau de um signo específico. Um dos erros mais recorrentes é achar que o signo onde se inicia uma casa é suficiente para dela tirar alguma interpretação. Isto é muito frágil, pois aquela casa tem um dono, e o dono é o mesmo planeta que rege o signo no qual ela se inicia. Assim, para compreendermos os assuntos de uma casa devemos analisar os possíveis planetas que nela se encontram e o planeta por ela regido. Exemplo: se Touro inicia a casa 12, os assuntos deste setor serão determinados pela Vênus, e não pelas características do signo de Touro! Vejo isso acontecer com frequência quando se analisa a fertilidade de um mapa. Para isso, verifica-se, dentre outros pontos, se há planetas na casa 5 (filhos) e seu respectivo regente. Se a casa 5 estiver vazia, o fato dela começar, por exemplo, em Virgem (signo infértil), não tornará o nativo estéril, mas o que traz esta informação é a localização de seu regente, Mercúrio (“dono” da casa 5, neste exemplo mencionado).

O Ascendente pode ser uma leve exceção porque é possível tirar algumas conclusões com base apenas no signo, mas para uma interpretação verdadeiramente precisa e que não foque só na questão psicológica, analisar seu regente é de vital importância.

Lembrando que é bastante relevante (eu diria essencial) a análise do mapa natal por Signos Inteiros, o que evita a interceptação por conta da latitude do local de nascimento.


2- USAR O MAPA PROGREDIDO PARA ANALISAR MUDANÇA DE PERSONALIDADE

A progressão do mapa é uma técnica tradicional que visa PREVER acontecimentos na vida do nativo com base em um movimento fictício dos planetas e ângulos. Vejo muitos estudantes usando este tipo de mapa para analisar mudanças de personalidade e comportamento, o que é um grande erro porque esta técnica não foi desenvolvida com este propósito, mas sim para a predição de eventos! Normalmente, as pessoas recorrem a isso quando não conseguem explicar determinadas atitudes ou características de uma pessoa com base no que está posto no mapa natal. Mas acredite: tudo o que você precisa saber está lá! E não importa se uma pessoa tiver um planeta no último grau de um signo (o que, na progressão, ele avançaria logo para o próximo da sequência), porque o planeta terá apenas aquela signo em que se encontra a sua disposição, não tendo “influência” do posterior. Exemplo, uma pessoa com o Sol a 29º de Áries não recebe a “influência” de Touro (embora ela possa ter outros planetas ali). O que acontece é que, quando a pessoa não se identifica com as características psicológicas de um dado posicionamento, a explicação se encontra na casa, nos aspectos e nas demais configurações do mapa (ou vai ver os dados de nascimento estão errados). Outro ponto importante que sempre menciono: a Astrologia transcende a questão psicológica, e os planetas falam muito mais do que seu mero comportamento.

 

3- DETECTAR OS ASPECTOS DE FORMA ERRADA

Este talvez seja o erro mais grave da lista. A palavra “aspecto” tem relação com “enxergar, ver”, portanto, quando um planeta lança aspecto ao outro, eles estão nada mais nada menos do que “trocando olhares”, ou seja, percebendo-se mutuamente. Isto é essencial na interpretação astrológica porque os aspectos fazem a comunicação entre os setores do mapa, indicando desafios ou facilidades de acordo com as recepções e o tipo de ângulo formado. Acontece que, na maior parte dos softwares de Astrologia, os aspectos são calculados e desenhados com base apenas na orbe do posicionamento entre os planetas e ângulos, e ignoram a qualidade dos signos interconectados. Assim, um planeta só pode enxergar outro por quadratura em signos da mesma modalidade (ex: planeta em signo fixo quadrando outro planeta em signo fixo); por trígono em signos do mesmo elemento (ex: planeta em signo de água quadrando outro em signo de água); por sextil em signos da mesma polaridade (ex: planeta em signo masculino em sextil com outro em signo masculino); e por oposição em signos simultaneamente da mesma polaridade e da mesma modalidade (ex: planeta em signo feminino e cardinal em oposição a outro em signo feminino e cardinal). Não pode haver uma quadratura entre uma Lua em Câncer e Júpiter em Touro, por exemplo, mas apenas sextil! Por isso os gráficos “enganam” a gente com seus desenhos baseados meramente na matemática e não na teoria astrológica. Há mais um fator: um planeta no primeiro grau de Capricórnio, por exemplo, formará trígono com outro planeta no último grau de Virgem, mesmo que a orbe aparente muito ser uma quadratura. Os dois signos fluem muito bem as características de um para o outro. Mas claro, quanto mais próxima a orbe, mais forte e relevante será o aspecto!

 

 

Guilherme de Carli

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