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URANO, NETUNO E PLUTÃO NA ASTROLOGIA TRADICIONAL

“A Astrologia é a ciência da luz. A luz existia antes que o Sol e a Lua tivessem sido criados. Esta é a luz essencial: a luz das essências das coisas. A Astrologia funciona através da comunicação da sua luz essencial: a luz das essências das coisas.”- John Frawley

Este artigo é divido em duas partes : 1) como a teoria astrológica lida com Urano, Netuno e Plutão; 2) dica do uso de transpessoais para quem não quiser seguir a Astrologia Tradicional

Parte 1

Um dos maiores divisores de água entre a Astrologia Tradicional e a Moderna consta no uso dos planetas transpessoais: Urano, Netuno e Plutão. Como estes planetas foram descobertos recentemente na História da humanidade, toda a base da Astrologia (iniciada há milênios) foi construída a partir do Sol e da Lua, dos planetas visíveis a olhos nus (Mercúrio, Vênus, Marte, Júpiter e Saturno), das estrelas fixas e de pontos matemáticos. Por isso, estes planetas “novos” não integram os alicerces astrológicos, e o desafio do astrólogo contemporâneo é integrá-los em seus estudos com rigor. Basicamente, observamos quatro tipos de abordagem sobre os transpessoais: a) astrólogos modernos que os usam na mesma importância que os planetas “antigos”, atribuindo-lhes regências de signo; b) astrólogos modernos que os usam de maneira restrita, sem atribuir-lhes regências; c) astrólogos tradicionais que não os usam de forma alguma e d) astrólogos tradicionais que os usam como estrelas fixas.

Mas por que há tanta divergência? A resposta é, como era de se esperar, teórica.

A “luz” é um elemento (e um conceito) muito importante nos fundamentos astrológicos, afinal os planetas se relacionam uns com os outros através da formação de aspectos: “aspectar” significa ver, enxergar…e para enxergar é necessário luz. Luz tem relação, portanto, com o que é visível, consciente. Quanto mais brilhante um astro for, maior será a importância de sua simbologia na vida humana: esta é uma lei. Urano, Netuno e Plutão são imperceptíveis aos olhos humanos, por isso eles não são capazes de formar aspectos. São, contudo, passíveis de formar conjunção estreita com planetas e ângulos (Ascendente e Meio do Céu), já que a conjunção não é propriamente um aspecto, mas uma união de corpos. Alguns astrólogos tradicionais também abrem exceção para a oposição, mas não é unanimidade.

Na Astrologia Tradicional (e algumas vertentes modernas que não ignoram os saberes antigos), observa-se os planetas como senhores que testemunham sobre acontecimentos da vida do nativo, ou seja, vai-se além das análises meramente psicológicas e comportamentais. Neste sentido, o regente do Ascendente, por exemplo, tem poder sobre o corpo e a saúde do nativo, e não sobre “a forma como os outros o enxergam num primeiro momento”. Imagine Plutão, cuja órbita é irregular e já chegou a transitar por 30 anos no signo de Touro: todas as bilhões de pessoas que, durante este período, nasceram com o Ascendente em Escorpião, por exemplo, tinham Plutão na sétima casa (que fala sobre matrimônio e inimigos declarados) por signos inteiros, mas garanto a você que muitas tiveram relacionamentos leves e sem transformações intensas, nem adversários poderosos e manipuladores como é característico de Plutão. Do mesmo modo, Plutão não poderia ser regente de Escorpião, senão essas mesmas bilhões de pessoas, além de estarem sob o poder do cônjuge ou dos inimigos, teriam a saúde debilitada porque o planeta estaria em seu “detrimento” e oposto ao Ascendente (saúde, corpo). Fora que Plutão fica uma baita tempo no mesmo grau, e no 26º de Touro encontra-se a Algol, a estrela decapitadora. “Ah, mas Saturno fica cerca de 2 anos e meio em cada signo, o que é um bom tempo também!” Realmente, mas Saturno tem uma vantagem sobre Plutão: Saturno reflete a luz do Sol para os olhos humanos, e por isso pode receber e lançar aspectos capazes de modificar sua mera posição no mapa.

Parece sensato, contudo, não ignorar os trânsitos dos transpessoais na compreensão dos movimentos da História (e talvez até no mapa natal, desde que eles sirvam para sintetizar um período ao invés de marcar acontecimentos pontuais que são melhores previstos por outras técnicas), e inclusive analisar, nos mapas natais, as conjunções e oposições com menos de 2º de orbe de planeta e ângulos. Muita gente vai dizer, “ah mas eu me identifico tanto com meu Plutão na casa 5”. Eu garanto a você que isso pode ser explicado por outro ponto no mapa, desde que se conheça com profundidade as técnicas. Muitas outras pessoas, à propósito, não se identificam, e ficam até assustadas com a possibilidade de sofrer um aborto com este Plutão na quinta casa (lembrando que bilhões de pessoas possuem este posicionamento). Nada na Astrologia é explicado por um ponto só, especialmente com os transpessoais.

Parte 2

Uma dica: mesmo se você optar por analisar os planetas transpessoais (Urano, Netuno e Plutão) nas casas, mesmo se não formarem oposição ou conjunção exata a planetas e ângulos, nunca tente explicar algum aspecto da vida de um nativo apenas pelo posicionamento isolado destes planetas (na verdade, nada se analisa isoladamente no mapa, mas isso vale especialmente para os transpessoais). Mas por quê? Porque além de astrologicamente incorreto, é ilógico e carente de bom senso. Urano transita 7 anos em cada signo, Netuno 14 anos e Plutão, cuja órbita é irregular, de 12 a 30 anos. Isso significa que, todas as pessoas que nascerem com o Ascendente no signo “x” durante o período de passagem desses planetas por determinado signo os terão em uma mesma casa, se calcularmos o mapa por Signos Inteiros. Exemplo: durante a atual passagem de Plutão por Capricórnio, todas as pessoas nascidas com o Ascendente em Libra entre Janeiro de 2008 e Março de 2023 terão este planeta na casa 4. Vocês acham mesmo que todas essas milhões de pessoas tiveram as fortes características plutonianas no ambiente doméstico (destrutividade, abuso, repressão, morte, violência extrema, transformações radicais)? Obviamente não. Muitas, inclusive, tiveram justamente o oposto (harmonia, acolhimento, amor). Esse, aliás, é também um dos motivos para esses planetas não regerem nenhum signo, pois do mesmo modo, estariam por muito tempo indicando as mesmas aflições e alegrias para uma infinidade de nativos, de acordo com o setor do mapa. Nada se analisa isoladamente no mapa, mas, ainda assim, os planetas tradicionais (Sol, Lua, Mercúrio, Vênus, Marte, Júpiter e Saturno) carregam certa autonomia. Não por acaso estes podem ser vistos a olhos nus no céu, pois, ao emitirem ou refletirem luz, compõem a nossa consciência.

Guilherme de Carli

Referências bibliográficas: “Nas trevas dos transpessoais”, Peter James Clark, 2003.