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ESTUDO SOBRE SINASTRIA – PARTE I

A sinastria é uma técnica astrológica moderna que busca compreender a dinâmica de um relacionamento (profissional, amoroso, familiar etc) através da sobreposição de dois mapas. Ela não tem o intuito de definir se uma relação vai ou não “dar certo” (inclusive porque um relacionamento que chegou ao seu fim não significa que ele não tenha dado certo, ele apenas durou o quanto tinha que durar, assim como muitos relacionamentos que duram uma vida inteira podem ser um completo fracasso). Essa questão de conseguir um casamento ou uma parceria profissional que traga felicidade e consiga superar seus desafios deve ser analisada no mapa individual de cada um, pelo qual é possível prever acontecimentos através de técnicas da Astrologia Tradicional. Na sinastria, o foco é compreender como duas pessoas se entendem e se desentendem, e quais áreas uma pode auxiliar ou atrapalhar a outra, simples assim. Nesta série de textos, vou me dedicar a análise da sinastria amorosa, sem dúvidas a que mais desperta o interesse das pessoas neste mundo de solidão.

Vamos começar!

Um dos pontos mais importantes a ser analisado é a relação entre o regente do Ascendente do parceiro A com o regente do Ascendente do parceiro B. É extremamente positivo que um enxergue o outro por aspecto favorável, conjunção ou antíscia. “Enxergar” significa literalmente um planeta lançar ao outro um dos quatro aspectos principais: trígono (muito benéfico), sextil (benéfico), quadratura (desafiador, mas não necessariamente ruim) e oposição (extremamente desafiador, e na maioria das vezes ruim). A conjunção costuma ser também muito positiva, como o trígono, enquanto a antíscia é neutra. Agora, é essencial frisar uma coisa: os aspectos só podem acontecer em signos que se aspectam! Ou seja, um planeta só pode enxergar outro por quadratura em signos da mesma modalidade (ex: planeta em signo fixo quadrando outro planeta em signo fixo); por trígono em signos do mesmo elemento (ex: planeta em signo de água quadrando outro em signo de água); por sextil em signos da mesma polaridade (ex: planeta em signo masculino em sextil com outro em signo masculino); e por oposição em signos simultaneamente da mesma polaridade e da mesma modalidade (ex: planeta em signo feminino e cardinal em oposição a outro em signo feminino e cardinal). Não pode haver uma quadratura entre uma Lua em Câncer e Júpiter em Touro, por exemplo, mas apenas sextil! Por isso os gráficos “enganam” a gente com seus desenhos baseados meramente na matemática e não na teoria astrológica. Há mais um fator: um planeta no primeiro grau de Capricórnio, por exemplo, formará trígono com outro planeta no último grau de Virgem, mesmo que a orbe aparente muito ser uma quadratura. Os dois signos fluem muito bem as características de um para o outro. Mas claro, quanto mais próxima a orbe, mais forte e relevante será o aspecto!

Exemplo: parceiro A tem Ascendente em Gêmeos, portanto regido por Mercúrio, e parceiro B tem Ascendente em Libra, portanto regido por Vênus. Se, ao sobrepor um mapa no outro, vemos que Mercúrio de A enxerga Vênus de B por trígono, é um ótimo testemunho (é claro que a sinastria deve ser analisada como um todo, mas vamos por parte). Se enxergar por oposição, sinal vermelho!

Mas, e se o regente de A não formar aspecto nem conjunção com o regente de B? Isso pode representar várias coisas: desencontros, relacionamentos em que um se sente invisível aos olhos dos outros, impossibilidade de ficar juntos por conta de questões materiais (como distância, saúde, status) etc. Veja, porém, se ao menos o regente de um consegue ver o grau do Ascendente do outro. Continuando o exemplo acima: se Mercúrio de A cai na casa 3 de B, é um bom sinal porque Mercúrio forma sextil com o grau do Ascendente de A.

As coisas, contudo, ficam mais complexas quando vemos as recepções, porque elas podem potencializar ou diminuir o aspecto positivo ou negativo.

É desejável que os regentes dos ascendentes de A e B estejam em dignidades essenciais (domicílio, exaltação, triplicidade, termo e face) um do outro, por exemplo, regente de A no signo de exaltação do regente de B; regente de B no signo de triplicidade do regente de A. Se, do contrário, estiver em debilidades essenciais (detrimento ou queda), a relação é prejudicada. Exemplo: regente de A na queda de B e regente de B no detrimento de A. Pode acontecer das situações se misturarem: regente de A no detrimento de B e regente de B na exaltação de A (um lado se doa demais na relação, e é prejudicado pelo outro). E há os casos neutros: regente de A no grau de um signo onde o regente de B fica peregrino, sem dignidade nem debilidade.

Veja mais um exemplo:

Parceiro A: Ascendente em Escorpião, regido por Marte
Parceiro B: Ascendente em Aquário, regido por Saturno
ps: desconsiderem Urano, Netuno e Plutão porque estes são planetas geracionais e invisíveis a olhos nus e não podem ser vistos por ninguém.

Marte, regente de A, em Capricórnio e Saturno, regente de B, em Áries.
Marte está no domicílio (dignidade) de Saturno e Saturno está no domicílio de Marte.
Ambos formam uma quadratura, mas recebem muito bem um ao outro em suas casas: ótimo sinal para a união, o respeito das diferenças e a superação de desafios.

Bem, encerro a primeira parte por aqui. Leiam com calma, façam anotações e, mesmo que a princípio pareça confuso, com o tempo as coisas farão cada vez mais sentido.

Guilherme de Carli

Antíscia: