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As Bruxas e a Astrologia

A ideia de bruxaria ou feitiçaria é tão antiga quanto a humanidade e ganha diferentes cores em cada cultura. Lembro-me das aulas de Antrolopogia quando tive contato com o estudo etnográfico de Evans-Pritchard sobre os Azande, povo localizado no sul do Sudão, que tinham a bruxaria como parte da vida cotidiana e reguladora do entendimento sobre o mundo e suas relações sociais. A bruxaria, na cultura zande, seria hereditária e fisiológica, manifestada quando o bruxo era acometido por uma forte emoção, como raiva, ciúme ou inveja. Em contrapartida à feitiçaria capaz de azarar ou mesmo matar uma pessoa, os Azande recorriam aos oráculos e à boa magia para identificar os bruxos e combater seus males. Paralelamente a isto, na cultura Ocidental, as bruxas (e magos) foram considerados grandes inimigos da Igreja Católica independentemente de sua magia ser usada para curar ou amaldiçoar. Todas foram consideradas cúmplices de forças diabólicas e, em nome da fé cristã, foram condenadas à fogueira ou ao afogamento.

A bruxaria sempre foi tema de investigação na Astrologia, e ela pode ser encontrada em duas casas do mapa a depender de sua qualidade: a magia boa estaria na casa 3, e a magia má estaria na casa 12. Percebam que ambas, ao receberem planetas, estabelecem entre si um ângulo de quadratura, aspecto desafiador do atributo de Marte, aquele que rege as batalhas. Tanto a casa 3 como a casa 12 são cadentes, ou seja, “distantes” de algum ângulo e portanto fracas. Nas casas cadentes do mapa, encontramos aquilo que é pouco ou nada dependente do controle humano, como a natureza, os espíritos e os acidentes.

A casa 3 representa a bruxaria boa porque é júbilo da Lua, indicando não apenas irmãos, estudos e viagens, mas também o sagrado feminino, a capacidade mediúnica e as religiões não ortodoxas. É a casa da sacerdotisa, do médium, daquele que se comunica com seus guias espirituais. Um regente da casa 3 forte e em bom aspecto com o Ascendente, junto a outros fatores do mapa, faz bons intérpretes dos céus, receptáculos das mensagens celestes, feiticeiras e magos do bem.

A casa 12, por outro lado, representa a bruxaria má porque, além de cadente, não é enxergada pelo Ascendente, o ponto da vida, sendo também júbilo do maléfico Saturno. Na 12, encontram-se as maldições, os vícios, os terrores, os demônios, os obsessores e tudo aquilo que corrompe a alma humana. Uma pessoa com fortes configurações na casa 12 pode ser praticante ou vítima destes infortúnios, mas é sempre bom lembrar que a 12 também representa hospitais, prisões, terras estrangeiras, inconsciente e outros fatores que podem ser motivo de trabalho ou confinamento do nativo.

No Tetrabiblos de Ptolomeu, encontramos sobre a casa 12:

“[É] chamado de casa do espírito malígno, porque prejudica a emanação das estrelas nele na Terra e também está em declínio, e as exalações grossas e negras das úmidas da Terra criam tal turbidez e, por assim dizer, obscuridade, que as estrelas não aparecem nas suas verdadeiras cores ou magnitudes. “– Tetrabiblos, III.10

Para se proteger da casa 12, é preciso recorrer às casas 3 e 9, onde moram os anjos, os bons espíritos, as orações e o contato com os deuses e nossos guias.

Guilherme de Carli